Opinião pública baiana derruba a PEC da Mordomia
Marcelo Nilo admitiu que pressão da sociedade o fez desistir de criar pensão para ex-governadores
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PDT), anunciou nesta segunda-feira (19) que decidiu arquivar a proposta de emenda constitucional (PEC) que daria a ex-governadores com dois anos de mandato o direito a uma pensão especial vitalícia no valor integral do salário (hoje é de R$ 12 mil). O deputado admitiu que a desistência foi a única saída diante do desgate político criado pela tramitação da proposta, em ano pré-eleitoral.
Durante a entrevista coletiva à imprensa, porém, nem tudo foi devidamente esclarecido por Marcelo Nilo. Ele omitiu os nomes dos 46 deputados que assinaram a PEC, em apoio à sua iniciativa. Nilo apresentou somente uma "cópia da PEC", sem assinaturas, nem rubricas, poupando seus colegas.
Mesmo diante das fortes reações contrárias à PEC, o presidente da Assembléia ainda insistiu em defendê-la. Estrategicamente, evitou assumir a autoria da proposta. Quis transferir a responsabilidade para o grupo parlamentar que a assinou. "Não há autor para PECs, sendo esta de autoria coletiva, já que são necessárias, no mínimo, 21 assinaturas para encaminhá-la".
Diante da insistência dos jornalitas, o presidente da Assembleia limitou-se a dizer que dos 46 signatários, pelo menos seis são de partidos de oposição ao governo petista.
Durante a entrevista, ainda informou que o governador Jaques Wagner e diversos deputados da AL pediram o arquivamento da proposta, a fim de preservar a Casa do desgaste político já desencadeado. A repercussão negativa da medida exigiu a retirada da PEC, disse. A pressão da imprensa e opinião pública foram determinantes do recuo de Marcelo Nilo.
Quando colocou a PEC em tramitação, Marcelo Nilo pretendia prestar serviço aos ex-governadores. Julgou que com a assinatura de 46 dos 63 deputados, a autoria da proposta ficaria diluída. Além disso, calculou que o assunto tramitaria com rapidez. Mas essa engenharia política de Marcelo Nilo foi um desastre. Causou desgaste inclusive para o atual morador do Palácio de Ondina, o governador Jaques Wagner (PT).
Foto: Raphael Carneiro
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